Mosteiro de São Salvador de Vairão

Mosteiro de Vairão
Mosteiro de São Salvador de Vairão e Igreja de São Bento – vista aérea

O Mosteiro de São Salvador de Vairão tem origem ainda no primeiro milénio d.C.

Indica-se no mais antigo documento que o refere, uma escritura do ano 974, que já nesta época o orago do Mosteiro seria São Salvador, para além de Santa Maria Virgem e São Miguel Arcanjo. São Salvador é ainda o padroeiro da freguesia, tendo a Igreja paroquial como orago São Bento.

Ao contrário do que acontecia nos mosteiros e conventos que conhecemos na Idade Contemporânea, era comum a existência destas comunidades religiosas dúplices, com membros de ambos os sexos, particularidade que se desvaneceu com o avançar da Idade Média. Em Vairão, a separação terá ocorrido em meados do século XII, sendo a partir daí uma comunidade monástica exclusivamente feminina.

As datas da fundação do Mosteiro como instituição e da construção do seu edifício primitivo são incertas, mas obviamente sempre anteriores ao ano de 974.

A 24 de Novembro de 1021, o Mosteiro já era conhecido pelo nome da villa onde foi fundado (acisterio ualeri).

Em 1141 D. Afonso Henriques concedeu ao Mosteiro a carta de couto, obtendo este poderes jurisdicionais quase ilimitados dentro dos seus limites.

No extenso cartório do Mosteiro de Vairão, maioritariamente preservado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, encontrou-se-um documento que pode ser considerado o mais antigo registo escrito em língua portuguesa, ou mais precisamente em galaico-português: a Notícia de Torto.

O rei D. Manuel I iniciou uma reforma em 1517 que agruparia diversas comunidades religiosas em ambiente urbano, retirando-as assim do seu mosteiro de origem. Ao contrário do pretendido pelo rei, a comunidade de Vairão conseguiu escapar à fusão, mantendo o Mosteiro em atividade. No final desse século, sairiam de Vairão as religiosas que fundariam o Mosteiro de São Bento de Murça e o Mosteiro de Santa Escolástica de Bragança.

Durante a Guerra Civil Portuguesa, as freiras de Corpus Christi de Gaia encontraram abrigo no Mosteiro de Vairão, sendo que as duas comunidades conviveram durante cerca de um ano,

Com o final da guerra civil, saindo vitoriosa a facção liberal, foi determinada a extinção das ordens religiosas por decreto publicado a 30 de Maio de 1834. As ordens masculinas seriam extintas imediatamente, enquanto as femininas, como no caso de Vairão, seriam proibidas de admitir noviças, extinguindo-se à morte da última religiosa. Assim sendo, a comunidade religiosa de beneditinas do Mosteiro de Vairão terminou oficialmente a 9 de Dezembro de 1891, pela morte da sua última monja, e abadessa, Ana Clementina do Sagrado Coração de Jesus.

Um resultado curioso do mandato de extinção das ordens religiosas foi o abandono da vida de clausura por parte de uma das mais ilustres monjas do Mosteiro de Vairão, Maria Isabel de Baena Coimbra Portugal. Maria Isabel casar-se-ia pouco depois, a 29 de Novembro de 1834, na Igreja de São Bento, com o poeta António Feliciano de Castilho.

Após a extinção da comunidade religiosa, o recinto do Mosteiro foi utilizado como colégio e escola, até 1986.

Atualmente o espaço serve de alojamento utilizado pelo Albergue de Peregrinos de Vairão e o Centro de Férias da Associação para a Promoção Cultural da Criança.

Galeria de imagens:

Contactos:

Endereço: Largo do Mosteiro – Vairão – Vila do Conde

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