O Teatro Affonso Sanches, localizado na Avenida Bento de Freitas1 atingiu o seu apogeu nas décadas de 1910 e 1920. Utilizado como salão de festas, conferências, espaço de representação de peças teatrais e de cinema, uma peça central para esta última atividade era o seu cinematógrafo, utilizado para a leitura e projecção das películas.
Proveniente do Cinema Pathé, na esquina da Rua de José Falcão e Rua da Conceição, no Porto, este cinematógrafo terá acompanhado o Teatro Affonso Sanches nos seus períodos áureos de projecção de filmes de cinema.
Nos meados da década de 1930, José Menéres, ilustre frequentador da praia de Vila do Conde e edificador da Casa Santa Fé e do pinhal da Cova da Andorinha2, adquiriu este cinematógrafo ao Teatro então já em visível decadência.

Funcionou no Cinema PATHÉ na Rua de José Falcão, no Porto, depois no Teatro Afonso Sanches em Vila do Conde, e passou as últimas fitas na Casa do Povo do Romeu
José Menéres era filho de Clemente Menéres, empresário de vinho, azeite e cortiça, que iniciou uma revitalização de algumas aldeias nos arredores de Mirandela. Este projeto foi continuado por José Menéres que, entre outras coisas, fundou a Casa do Povo do Romeu em 1937, para onde levou o cinematógrafo e onde este trabalhou até ao fim dos seus dias.
O cinematógrafo encontra-se hoje em exposição no “Museu das Curiosidades”, na aldeia de Jerusalém do Romeu, ao qual sugerimos uma visita.